quarta-feira, 11 de julho de 2007
La Féria ... só mais uma vez...
terça-feira, 3 de julho de 2007
O tema quente de hoje + um desabafo
1ª opção: asneiras dos ministros do nosso "Engenheiro" Sócrates??
Resposta: NÃO! (isso já é tão corriqueiro que nem chega a ser quente!)
2ª opção: atentados por esse mundo fora??
Resposta: NÃO! (isso também já não mexe muito com o espectador dos jornais televisivos!)
3ª opção: Caso da "pequena Maddie"??
Resposta: NÃO! (desse tema já se fala há 2 meses...)
4ª opção: A cor das camisolas do equipamento alternativo do Benfica, o cor de rosa bebé, como lhe chamam??
Resposta: SIM!! (É incrível, mas sim!)
Breves notas sobre este tema tão relevante, que põe ao canto todas as necessidades impreteríveis do nosso Portugal:
1.º - Comentário da taróloga Maya sobre isto: "O cor de rosa tira força, vigor e preserverança ao Benfica" (informação baseada em estudos de Cromoterapia) - O meu comentário: não é a cor que lhe tira isso tudo, mas enfim... (eu acho que vou deixar de usar cor de rosa!!! Fiquei mesmo assustada!!!! Oh não, tenho as unhas pintadas de cor de rosa, vou já buscar acetona!);
2.º - Comentário de uma cantora da nossa Praça: Ai que os jogadores ficam um bocado "abichanados" (isto num programa emitido à tarde);
3.º - E vai-se para a rua, com jornalistas a perguntar aos adeptos o que acham disto (enfim, desperdício de meios, depois queixam-se...
4.º - Se o objectivo era chamar à atenção, como parece que era, chamaram...
5.º - Vivemos mesmo num país que sofre de futebolite aguda e que até discute o tema do equipamento alternativo dum clube de futebol (sublinhe-se alternativo!);
6.º - E eu embarco neste ambiente, porque estou a gastar caracteres a falar disto... Enfim...
Abordando outro tema, cheguei à conclusão que não me revejo nesta nova rima de adolescentes que profere frases feitas à Morangos com Açúcar e outras atitudes que agora não me apetece escrever... (são mesmo novos tempos! E eu ainda tão nova!)
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sábado, 30 de junho de 2007
O Livro Negro .... e Miguel Torga
Tenho imenso orgulho no Cineclube de Amarante! Se é verdade que os filmes demoram a cá chegar, também é verdade que se mais não fazem é porque não podem e porque também os amarantinos não dão tanto valor como deviam a este grande serviço de cultura!
E na passada sexta-feira fui ver um filme que já queria ver há muito tempo: O Livro Negro. Ia com grandes expectativas, que não foram goradas. De todo! Aconselho vivamente e destaco uma frase, que devia servir de ensinamento a todos os líderes do mundo e a todos os comuns mortais:
Na parte final do filme, após a vitória dos Aliados, os holandeses festejam a sua libertação e prendem, escarnecem os vencidos, ajuntam-nos, tratam-nos como porcos, maltratam-nos, humilham e despejam neles os seus dejectos. No meio deste "arraial" de mediocridade, surge alguém da Resistência (Dr. Hans) que lhes diz:
E como esta frase resume tanto... E como devíamos aprender com ela...
(Ah, e fiquei fã de Sebastian Koch, também na imagem)
Adolfo Correia Rocha
Médico especialista
Ouvidos, Nariz e garganta
largo da Portagem, 45 - 1.º, Coimbra
Assim era o cabeçalho das receitas do conhecido escritor transmontano Miguel Torga!
Esteve em exibição até hoje(melhor dizendo ontem, tendo em conta a hora a que estou a escrever), na Biblioteca Municipal Albano Sardoeira, em Amarante, uma exposição comemorativa dos 100 anos do nascimento de Miguel Torga. Este nasceu a 12 de Agosto de 1907, em S. martinho de Anta. Só tenho de dar os meus parabéns a esta exposição, que vai correr algumas cidades do país! Desde as suas obras, rascunhos, fotografias, fitas, diploma de licenciatura, cartas que demonstram a perseguição do Antigo Regime. Muito havia para ver e saborear, palavras deliciosas, que nos fazem querer sair daquele edificio, pegar numa mochila e descobrir as fragas de Portugal. Admito, dos 3 poetas contemporâneos que estudei no 12.º ano, foi de Miguel Torga que mais gostei. talvez por falar no meu Marão que sempre que estou em casa vejo, talvez por sentir nele a força duma natureza próxima... Desta exposição deixo ficar uns excertos que escrevinhei para mais tarde recordar: o primeiro tem que ver com o que falei em cima, o segundo, achei curioso, como praxista e como amante da minha capa negra!
"E é isso que me penaliza e assombra: que a intolerância possa constituir um modo de vida!"
"8 de Dezembro de 1933 - Conforme a tradição, mal o bedel disse que sim, que os lentes consentiam que eu receitasse clisteres à humanidade, conhecidos e desconhecidos rasgaram-me da cabeça aos pés. Só deixaram a capa. E aí vim eu pelas ruas fora, o mais chegado possível à minha própria realidade: um homem nu, envolto em 3 metros de negrura, varado de lado a lado por um terror fundo que não diz donde vem nem para onde vai." - Diário I, 1941
sexta-feira, 22 de junho de 2007
Ups!!!...

quinta-feira, 14 de junho de 2007
Mudança de paradigma?
A maquiagem serve para realçar a nossa beleza, aperfeiçoando características, disfarçando outras... É também uma forma de arte, tendo de se adequar ao género da pessoa, às circunstâncias, entre outras situações.
Ora, por que não hão-de os homens de se valorizar neste aspecto? Porque não utilizar base ou um lápis discreto nos olhos? Já não digo sombras espampanantes, mas um risco de lapis debaixo do olho pode beneficiar tanto um olhar... Será isso retirar a masculinidade? Já antes os homens se maquiavam, depois caiu em desuso e agora é sinónimo de "tendência sexual desviante" ou de atitude excêntrica por parte de artistas. Não creio que se deva pensar assim! E há homens que maquiados ficariam tão melhores que mulheres...
Fica a "provocação"...
segunda-feira, 11 de junho de 2007
No dia 10 de Junho..... de 1910
Apanhei o vício de ir ver o que Fernando Pessoa escreveu ao longo dos dias de cada ano, recorrendo à minha "Bíblia" de Poesia 1902-1917, da Assírio e Alvim e encontrei o seguinte poema:
Voltais enfim ao silêncio do porto
Quando é na tarde a tarde irreal,
Meu coração é um morto lago
E à margem triste do lago morto
Sonha um castelo medieval.
E nesse onde sonha castelo triste
Nem sonha saber, a de mãos formosas
Sem gesto ou cor, triste castelã
Que um porto além rumoroso existe
De onde as naus negras e silenciosas
Se partem antes de ser manhã.
Nem sequer pensa que há o onde sonha
Castelo triste; seu esp'rito monge
Para nada externo é vivo e real;
E enquanto ela assim esquecida vagueia tristonha
Regressam tristes do mar ao longe
As naus ao porto medieval."
quarta-feira, 30 de maio de 2007
E um livro se fechou...

A descoberta deste presente foi pessoal, num quartinho pintado de cor de rosa pelos seus sonhos, em que bailavam sorrisos, olhos lacrimejantes, roupinhas pequeninas e tão bonitinhas, berços, papas, guizos, escola, faculdade… Tudo ela tinha construído naquele momento, em que o seu coração cresceu, em que o mundo lhe pareceu definitivamente um sítio de esperança, onde tanto podia (ainda) fazer! Ergueu-se gigante, decidida! Mas…
O seu companheiro não aceitava a criança, atirou-lhe à mente a culpabilidade do suposto não poder engravidar! Aquela criança tão inesperada e, por isso, tão mais desejada, era um entrave, um obstáculo, um infortúnio, um azar, fruto de uma mentira médica! Não, não queria e não assumia a criança! Não a queria, como se ela fosse um objecto que facilmente se pode deitar ao lixo! Empalideceu, sentiu-se enfraquecer, teve medo, pelo seu bebé, seu só seu, naquele momento. Apertou forte o seu seio e, naquele momento, prometeu solenemente protegê-lo! Serás feliz, serás amado!
Largou o emprego onde trabalhava há 10 anos, e onde estava constantemente com o seu “companheiro”. Saiu de “sua” casa. Largou uma relação. Largou a sua terra. Partiu, buscando conforto na casa de sua filha, mãe também jovem, casada com os seus juvenis 19 anos. Foi recebida de braços abertos, seria uma companhia para a filha e, junto ao neto, esperaria, descansadamente, afastada da maldade, o seu filho-milagre. Não parava de sorrir, tirava muitas fotografias para lembrar este momento. Tinha todos os cuidados e mais alguns, como se de um copo de cristal frágil se tratasse. Escrupulosamente seguia todas as prescrições médicas.
Estava muito grávida, orgulhosamente pensava! Teve de se dirigir ao centro médico para uma ecografia. Como adorava estes momentos, em que via o seu bebé, o seu pequenino rebento, em que se embevecia pelo pulsar do seu coraçaozinho. E como se abrilhantaram os seus olhos quando o médico lhe disse que tudo estava bem, que podia ir descansada e passear pela cidade como tanto gostava de fazer depois destas visitas periódicas. Costumava sentar-se nos jardins, ver as pessoas passaram, olhar para os pais com as suas crianças, falar com as pessoas que a cumprimentavam e lhe perguntavam como estava a correr! Tinha rejuvenescido tanto! Sentia-se revigorada! Sentia que o mundo era novo! Sentia que estava a virar a página! E nesses momentos respirava fundo, muito fundo e depois, já tarde, ia para o seu lar…
Nesse dia, dirigia-se para a cidade, a pé, na berma da estrada, com os seus olhinhos a brilhar, com uma barriga pesada, mas que lhe tinha tornado tão leve a sua mente. Era uma recta no meio duma localidade, onde os carros passavam calmamente, adormecidos por uma tarde quente. Ia com cuidado, afastada do asfalto, como podia e devia. E…
Um carro, a grande velocidade, entontecido pela bebida, embate nela, fustiga-a, empurra-a e ela sente que já não pode proteger o seu bebé, o seu amado bebé! Sente o sangue, toca na barriga, cai em cima dela, como tentando protegê-la pela última vez. Sente-se morrer e sente morrer o que mais tinha querido nestes últimos tempos. Sente que a esperança morreu. Sente que o virar da página é a morte…
Uma senhora pára o seu carro! Foi lá atrás ultrapassada por aquele carro e viu o ziguezaguear mortal daquele carro e a fugida do mesmo para o horizonte! Felizmente tinha consigo o telemóvel, pediu socorro, mas só via sangue, e sentia uma revolta imensa, acentuada pela dor de também ser mãe.
A filha foi avisada por vizinhos. Correu para o hospital. Sucumbiu perante a morte da mãe, mas o agora seu bebé tinha sobrevivido! O milagre milagrosamente tinha sobrevivido! E ela trataria dele como seu filho e seria tão acarinhado, quanto foi amado na barriga da sua mamã assassinada. Contudo…
O bebé só sobreviveu um dia, a filha voltou a sucumbir, o seu coração rompeu-se em lágrimas…
A implacabilidade desta morte insensível, da qual a mãe tentou tanto salvar o seu bebezinho, conseguiu derrotá-la! Escarneceu dela, deu esperança à sua filha de ao menos ficar com o seu rebento-irmão! Ao tentar salvá-lo(s), jazeu morta num asfalto quente e respirou o pó da terra… O seu bebé não resistiu, quiçá não conseguiu conceber a sua vida sem o ente que mais o desejou…
A morte escreve “certo” por linhas tortas! Um trajecto enviesado matou um sonho e fechou um livro que tinha tanto para dar…
E faltavam 10 dias para dar à luz!
(Este texto é baseado nos depoimentos da filha e da senhora que socorreu a mãe grávida e que foi atropelada na berma da estrada por um condutor a alta velocidade, em 12 de Abril deste ano, em Almancil, prestados no programa “As tardes da Júlia”, no dia 29 de Maio).
